Fraturas por Avulsão na Pelve
- Dr. Fernando Hidalgo

- 21 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
MANUAL DE EMERGÊNCIAS MENORES
As fraturas por avulsão na pelve ocorrem quando um tendão ou ligamento, sujeito a uma força extrema ou a uma contração súbita, arranca um fragmento do osso ao qual está inserido.
Estas fraturas afetam frequentemente as inserções musculares na pelve, como os isquiotibiais, quadríceps ou adutores, sendo mais comuns em adolescentes e atletas jovens, devido à fragilidade relativa das apófises em crescimento.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se na anamnese clínica, em que o paciente refere dor aguda após um movimento brusco ou esforço físico intenso (como correr, saltar ou chutar). As localizações mais comuns de avulsão incluem:
Espinha ilíaca ântero-superior (inserção do músculo sartório)
Espinha ilíaca ântero-inferior (músculo reto femoral)
Tuberosidade isquiática (inserção dos isquiotibiais)
O diagnóstico é confirmado por radiografias, que revelam o fragmento ósseo avulsionado. Pode ser necessária uma ressonância magnética (RM) para avaliar o envolvimento de tecidos moles.
Diagnóstico Diferencial
Patologia | Características Principais |
Rotura muscular | Dor muscular sem evidência de fragmentos ósseos nos exames de imagem. |
Fratura da anca | Dor na pelve ou anca sem história de contração muscular súbita. |
Bursite trocantérica | Dor lateral na anca, sem história de trauma ou contração aguda. |
Fratura por stress | Dor progressiva na pelve ou anca, sem evento traumático agudo associado. |
Abordagem em Situação de Emergência
Controlo da dor: Administrar analgésicos como AINEs (ibuprofeno ou paracetamol) para alívio da dor aguda.
Repouso: Recomendado repouso relativo, evitando atividades físicas que coloquem tensão sobre os músculos afetados.
Gelo e elevação: Aplicar gelo local nas primeiras 48 horas para reduzir a inflamação.
Exames de imagem: Solicitar radiografias da pelve e da anca para confirmar a fratura por avulsão e avaliar o grau de deslocamento.
Imobilização: Em casos de avulsão minimamente deslocada, utilizar dispositivos de apoio (como canadianas) para limitar a carga sobre o membro afetado.
Encaminhamento para especialista: Em casos com deslocamento significativo ou dúvida no diagnóstico, referenciar o paciente para ortopedia.
Tratamento Definitivo
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador, especialmente se não houver deslocamento relevante do fragmento. Consiste em:
Repouso
Fisioterapia progressiva para recuperação da força e mobilidade
Programa de reabilitação entre 4 a 6 semanas
Se o fragmento ósseo estiver deslocado >2 cm ou se não houver cicatrização adequada com tratamento conservador, pode ser indicada cirurgia de fixação para restaurar a anatomia e função.
Com tratamento adequado, espera-se recuperação total, embora possa demorar várias semanas até o paciente retomar a prática desportiva intensa.

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