Artrite Cervical
- Dr. Fernando Hidalgo

- 18 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
MANUAL DE URGÊNCIAS MENORES
A artrite cervical, também designada por espondilose cervical, é uma condição degenerativa que afeta as articulações, discos intervertebrais e estruturas ósseas da coluna cervical. É mais comum em indivíduos com mais de 50 anos, sendo associada ao envelhecimento, ao desgaste articular e à formação de osteófitos (esporões ósseos).
Os sintomas incluem dor e rigidez no pescoço e, em casos graves, compressão de raízes nervosas ou da medula espinal, podendo originar radiculopatia ou mielopatia.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se na história clínica de dor cervical crónica, rigidez e, por vezes, dor irradiada para os membros superiores, podendo estar associada a parestesias ou fraqueza muscular. O exame físico revela limitação da amplitude de movimentos cervicais e sinais sugestivos de compressão nervosa.
As radiografias cervicais evidenciam alterações degenerativas, como redução dos espaços intervertebrais e formação de osteófitos. A ressonância magnética (RM) ou a tomografia computorizada (TC) são utilizadas para avaliar a presença de compressão radicular ou mielopatia cervical.
Diagnóstico Diferencial
Patologia | Características |
Hérnia discal cervical | Dor cervical com irradiação para o braço, acompanhada de sintomas neurológicos |
Entorse cervical | Dor aguda após traumatismo, sem sinais de degeneração articular nos exames |
Miosite | Dor muscular inflamatória, sem alterações ósseas nos estudos de imagem |
Radiculopatia cervical | Dor irradiada para o braço, fraqueza e parestesias, sem sinais de artrose |
Fibromialgia | Dor muscular generalizada com pontos gatilho, sem alterações degenerativas |
Abordagem em Urgência
O tratamento em contexto de urgência centra-se no controlo da dor e da inflamação. Administram-se analgésicos e anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). A aplicação local de calor pode aliviar o espasmo muscular.
Nos casos de dor intensa ou compressão radicular, podem ser utilizados relaxantes musculares ou corticosteroides orais. Quando existem sinais de compressão medular — como perda de força, fraqueza progressiva ou alterações no controlo esfincteriano —, é necessária referenciação urgente para exames de imagem avançados.
Tratamento Definitivo
O tratamento definitivo é geralmente conservador, incluindo fisioterapia com o objetivo de melhorar a mobilidade cervical, reforçar a musculatura e corrigir a postura. Exercícios de alongamento e técnicas de tração cervical podem contribuir para o alívio dos sintomas.
Nos casos mais graves, com compressão significativa de raízes nervosas ou da medula espinal, pode estar indicada intervenção cirúrgica, como a descompressão cervical ou a fusão espinal.
A cirurgia é reservada para doentes com dor intratável ou sintomatologia neurológica progressiva.

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