Artrite séptica
- Dr. Fernando Hidalgo

- 14 jul 2025
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MANUAL DE EMERGÊNCIAS MENORES
A artrite séptica é uma infeção articular aguda provocada pela invasão de microrganismos, geralmente bactérias, no líquido sinovial e nos tecidos periarticulares. Trata-se de uma emergência médica que, se não for tratada de forma atempada, pode levar à destruição irreversível da articulação, sépsis e complicações sistémicas graves.
Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais frequente, embora estreptococos, bacilos Gram-negativos ou outros patógenos possam estar envolvidos, dependendo de fatores como a idade e comorbilidades do doente.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se numa forte suspeita clínica, especialmente em doentes com articulação edemaciada, quente, dolorosa e com limitação de movimentos. É fundamental proceder à aspiração articular para análise do líquido sinovial, incluindo contagem celular, coloração de Gram, cultura, e determinação dos níveis de glicose e proteínas.
Adicionalmente, exames imagiológicos (radiografia, ecografia ou ressonância magnética) são utilizados para avaliar lesões estruturais e excluir outras causas. Os exames laboratoriais, como hemograma completo, proteína C reativa (PCR) e velocidade de sedimentação eritrocitária (VSE), encontram-se geralmente elevados, embora não sejam específicos.
Diagnóstico diferencial
Doença | Características principais |
Gota | Presença de cristais de urato no líquido sinovial, crises agudas autolimitadas. |
Pseudogota | Cristais de pirofosfato de cálcio no líquido sinovial, tipicamente afeta joelho ou punho. |
Artrite reumatoide | Doença autoimune crónica, rigidez matinal, FR e ANA positivos. |
Artrite reativa | Surge após infeção urinária ou gastrointestinal, sem infeção direta da articulação. |
Bursite séptica | Inflamação séptica da bursa, geralmente sem envolvimento direto da articulação. |
Abordagem em emergência
O tratamento da artrite séptica em contexto de urgência é crítico e deve ser iniciado de imediato. Após a aspiração articular e a colheita de amostras para cultura, deve iniciar-se antibioterapia empírica intravenosa de largo espectro, cobrindo bactérias Gram-positivas e Gram-negativas.
Vancomicina e ceftriaxona são esquemas terapêuticos frequentemente utilizados até identificação do microrganismo e respetiva antibiograma, o que permitirá um ajuste dirigido do tratamento. Nos casos graves, deve considerar-se encaminhamento para ortopedia para drenagem cirúrgica caso a aspiração não seja eficaz.
Tratamento definitivo
O tratamento definitivo inclui antibioterapia dirigida de acordo com os resultados da cultura e sensibilidade do agente patogénico identificado. A duração habitual do tratamento é de 2 a 4 semanas por via intravenosa, podendo ser seguida por terapêutica oral conforme a evolução clínica.
Em determinados casos, é necessário realizar desbridamento cirúrgico ou lavagem articular para remoção de material purulento e prevenção de lesões articulares permanentes. A reabilitação com fisioterapia pode ser imprescindível para recuperação da função articular após resolução da infeção.

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